Wednesday, May 02, 2012

Os 900 livros que a Censura proibiu

No Expresso online uma lista de livros censurados, proibidos ou apreendidos pelo Estado Novo. Alguns desses livros foram publicados por Fernando Ribeiro de Mello com a chancela das Edições Afrodite.

Na fotogaleria uma imagem da capa da tiragem especial da Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica de Natália Correia.

Consulte o ficheiro compilado pelo historiador José Brandão com uma lista de 900 livros.

Wednesday, February 08, 2012

A Metafísica do Sexo, de Julius Evola

Edição de 1976



Título Original – Metafísica del Sesso
Autor – Julius Evola
Tradutora – Elisa Teixeira Pinto
Revisor Literário – Vítor Silva Tavares
Capa – Nuno Amorim
Revisor Tipográfico – Joaquim Meco
Colecção Doutrina Intervenção
Edição e Arranjo Gráfico – Fernando Ribeiro de Mello / Edições Afrodite

Na Contracapa

Esta obra de Julius Evola é já famosa na Europa graças a uma tradução alemã e a duas edições francesas. É uma obra única no seu género por considerar o sexo e a experiência sexual segundo aspectos e dimensões diversas a que se circunscreviam as actuais investigações psicológicas, sexólogas e mesmo psicanalíticas. Como o autor afirma explicitamente – uma vez que a época actual é caracterizada por uma espécie de obsessão do sexo e da mulher e dado que a psicanálise se esforçou por pôr em relevo o sexo como potência elementar obscura e subpessoal - , o seu propósito foi descobrir uma realidade do sexo não menos profunda, mas de natureza superior e transcendente.

O termo «metafísica» é efectivamente usado no livro num duplo sentido. Em primeiro lugar, no de uma investigação do significado último do eros e da experiência sexual, significado que excede tudo aquilo que é uma fisiologia, instinto de reprodução, simples carnalidade ou pálida sentimentalidade. Em segundo lugar, uma investigação que visa descobrir não só nas formas mais intensas da vida erótica, mas até no amor comum, centelhas de uma «transcendência», remoções momentâneas dos limites da consciência ordinária do homem e da mulher e, finalmente, aberturas para o supra-sensível.

Tal investigação tem como contrapartida a documentação do que numerosas civilizações antigas ou não europeias reconheceram em matéria de sacralização do sexo e de uma sua utilização para fins extáticos, mágicos, iniciáticos ou evocatórios. É, assim, oferecido ao leitor um vastíssimo panorama que vai dos ritos secretos e orgiásticos tântricos e do dionisismo à demonologia e às experiências do Sabbat e dos «Fiéis de Amor» medievais, da prostituição sagrada e dos Mistérios da Mulher a práticas cabalísticas, árabes, extremo-orientais, etc. A referida metafísica do sexo permite, por outro lado, surpreender o que age na profundidade de fenómenos como o pudor, o ciúme, o sado-masochismo, a nudez feminina, o complexo amor-morte, etc.

Para além disso, o livro contém uma investigação comparada no campo da mitologia que permite descrever os «arquétipos» masculino e feminino e, a partir destes, os tipos fundamentais de homem e de mulher («deuses e deusas, homens e mulheres»), bem como permite ainda esboçar uma psicologia do «homem absoluto» e da «mulher absoluta» e individualizar as variedades e os condicionalismos do magnetismo sexual.

Dada a importância hoje assumida pelos problemas do sexo, a obra reveste-se de significado especial não só pelam luz diferente e insuspeita que lança sobre tais problemas, mas ainda pela orientação pessoal que dela pode extrair um tipo humano diferenciado. Independentemente da audácia das ideias e da ausência de preconceitos com que são tratados os argumentos mais escabrosos, o material seleccionado, recolhido nos domínios mais diversos - da ciência das religiões à psiquiatria, da etnologia à sociologia, à simbologia, às disciplinas iniciáticas ou esotéricas, à história da civilização – não encontra paralelo em qualquer outra obra existente, facto que foi reconhecido pela própria crítica estrangeira.

Esta edição foi enriquecida com um conjunto de ilustrações.

Wednesday, December 28, 2011

Livros Afrodite na Livraria Ultramarina

Na Livraria Histórica Ultramarina encontrámos uma excelente montra de livros das Edições Afrodite para venda.

Recomendamos

Livros Afrodite Livraria Histórica Ultramarina

Tuesday, December 06, 2011

As 50 Posições

(Edição de Agosto de 1978)

As 50 Posições
Manual Prático de Mesa de Cabeceira

Texto e direcção de posições: José Sobral
Coordenação e fotografia: José Carlos e José Sobral
Arranjo gráfico: José Sobral / Edições Afrodite
Edição e direitos exclusivos: Fernando Ribeiro de Mello / Edições Afrodite


“Não pretende a presente edição pôr em causa ou sobrepor-se à capacidade de imaginação dos leitores no tocante às relações sexuais e mais especificamente às diversas formas e processos de concretização das mesmas. Tem sim mais a ver com um convite ao abandono de todas as inibições neste campo, a fim de que o «fazer amor» se possa realmente tornar um acto verdadeiramente libertador para o qual não será necessário empreender nenhuma revolução pois apenas duas pessoas são suficientes”.

Thursday, September 15, 2011

Procuram-se




Para completar a colecção (catálogo) das Edições Afrodite, procuramos os seguintes livros:

A Massagem Sensual – Hans Parker, 1984 (Corpo Solar)

Colecção Cabra Cega (Infantil):

2 – Afinal o Castelo Era Verdade – Júlio Moreira, 1968
3 – Os Quatro Corações do Coração – Ricardo Alberty, 1968
4 – Perrault Vai Contar – Maria Alberta Menéres, 1969
7 – Histórias de Bichos em África – Tomáz Ribas, 1970
9 – A Nuvem e o Caracol – António Torrado, 1972
10 – Uma Rosa Na Tromba de um Elefante – António José Forte, 1971


Se alguém tiver para venda, deve contactar pelo mail: ricardojorge7@sapo.pt

Monday, July 25, 2011

Anuário do Futebol





Em 1983 Fernando Ribeiro de Mello foi responsável pela publicação de um completo Anuário do Futebol Português e Europeu 1983/84. Não teve a chancela das Edições Afrodite mas da Renovação, que tinha como editor responsável, J. Alvim de Carvalho. Para este trabalho, Fernando Ribeiro de Mello contou com a colaboração dos melhores jornalistas desportivos e destacadas personalidades da época (ver ficha técnica), resultando todo o volume numa edição de grande qualidade.



Ficha Técnica:



Director: Fernando Ribeiro de Mello
Director-Adjunto: J. Alvim de Carvalho
Coordenador: Neves de Sousa
Consultores Técnicos: Mário Zambujal, Neves de Sousa



Redactores: Carlos Morgado, Costa Martins, Cruz dos Santos, Daniel Reis, David Sequerra, Eugénio Queirós, Filomena Araújo, Henrique Parreirão, Ilídio Trindade, José Manuel Fernandes Sousa, José Manuel Freitas, José Manuel Moroso, Neves de Sousa, Manuel Neto, Orlando Dias Agudo, Ribeiro Cristóvão, Rui Cabral, Wilson Brasil.



Repórteres Fotográficos: António Capela, Bruno Neves, Lobo Pimentel Jr., Óscar Saraiva



Convidados Especiais: Albertino Antunes, António Ramalho Eanes, António Reis, David-Mourão Ferreira, Fernando Assis Pacheco, João Palma-Ferreira, Joaquim Letria, Lacerda e Melo, Manuel Marques, Mário Soares, Monge da Silva, Nuno Rocha, Pacheco de Andrade, Santos Ruivo, Victor Direito.



Ilustradores: António, Augusto Cid, José de Lemos, Victor Ribeiro.

Capa: Victor Ribeiro

Arranjo Gráfico: Daniel Martins


Gente Fala de Futebol: Afonso Cautela, Afonso Pinto de Magalhães, Agapito Pinto, Amadeu Lopes Sabino, Amália Rodrigues, Ângelo Correia, António, António Alçada Baptista, António Baptista Fernandes, António Carvalho, António Gentil Martins, António Gomes, António Leal Lopes, António Paredes, António Valdemar, António Vitorino d´Almeida, Armado Marques, Artur Agostinho, Artur Varatojo, As Doce, Augusto de Carvalho, Augusto Cid, Aventino Teixeira, Beatriz Costa, Camilo de Oliveira, Carlos do Carmo, Carlos Cruz, Carlos Lopes, Carlos Plantier, Carlos Vargas, Cecília Barreira, Diogo Leite de Campos, Diogo Saraiva e Sousa, Dórdio Guimarães, Eugénio Salvador, Fernando Pádua, Fernando Piteira Santos, Fialho Gouveia, Francisco Sousa Neves, Francisco Sousa Tavares, Isabel Bahia, Isabel Hub Faria, João Rosa, João Salgado, João Sousa Monteiro, João Vaz, Jorge Ponce Leão, José Alarcão Troni, José Cardoso Pires, José Carlos Ary dos Santos, José Luis Feronha, José Machado Leite, José Manuel Casqueiro, José Manuel Serrão, José Maria Pedroto, José Miguel Júdice, José Pedro Croft, José Vaz Pereira, Júlio Isidro, Krus Abecassis, Lia Gama, Luís Azevedo, Luís Fontoura, Luís Lagrifa, Maldonado Gonelha, Manuel Alegre, Manuel Figueira, Marcelo Rebelo de Sousa, Maria Alberta Meneres, Maria Antónia Palla, Maria Antónia Vasconcelos, Mário Viegas, Miguel Veiga, Moniz Pereira, Natália Correia, Nené, Nuno Xara Brasil, Octávio Pato, Paulo Portas, Pedro d´Anunciação, Peixe Dias, Raul Lourenço Lapa (“Horus”), Raul Solnado, Rita Rolão Preto, Rosa Lobato Faria, Ruy Carvalho, Sá Pereira, Sam, Sanches Osório, Sousa Veloso, Teresa Matos Sequeira, Teresa Monteiro, Tomás Branquinho da Fonseca, Tomás Ribas, Vera Lagoa, Vítor Alves, Victor Hugo Sequeira, Vítor Jesus, Vítor Matias Ferreira.



Concepção e Plano Geral da Obra: Fernando Ribeiro de Mello e J. Alvim de Carvalho
Editor Responsável: J. Alvim de Carvalho (registado sob o n.º 409 409)
Copyright: «Anuário do Futebol Português e Europeu» (publicação periódica e Europeu)
Proprietários: L. Graciano Mota e Rodrigo Luz
Edição: Renovação. (Apartado 1617 – 1016 LISBOA CODEX) Tiragem: 20 000 exemplares. Setembro 1983
Distribuição Exclusiva: Electroliber, Lda. (Apartado 4004 – 1501 Lisboa Codex)

Wednesday, July 06, 2011

Duchamp por Breton



Regressamos à Antologia do Humor Negro para aqui deixarmos o texto onde André Breton apresenta um dos autores antologiados, Marcel Duchamp. Texto traduzido por Luiza Neto Jorge.

Tendo franqueado o fosso que separa as ideias particulares das ideias gerais, o que já é próprio dos grandes espíritos, o génio de Marcel Duchamp consiste, talvez, em tê-las, por seu turno, abandonado para se antecipar aquilo a que poderíamos chamar as ideias gerais particularizadas. Perguntamo-nos, assim, se, sob o nome de Délie, Maurice Scève terá cantado uma determinada mulher, “l´idée”¹ (abstraída de toda e qualquer representação feminina), l´idée cujo anagrama é Délie. Tendo os princípios correntes do conhecimento e da existência e da existência sido deliberadamente transgredidos, acontece que pela primeira vez, com Duchamp, se pode «dar sempre ou quase sempre o porquê da escolha entre duas ou mais soluções (por causalidade irónica)», ou seja, fazer intervir o prazer na própria formulação da lei à qual a realidade deverá responder. (Exemplos: «um fio horizontal tomba da altura de um metro sobre um plano horizontal, deformando-se como bem lhe apraz e apresenta uma nova figura da unidade de comprimento», ou «por condescendência, um peso é mais pesado à descida do que à subida», as garrafas de marca (género Benedictine) obedecem a um princípio de densidade oscilante.) É nisto que reside aquilo a que Duchamp chamou o «ironismo de afirmação», por oposição ao «ironismo negador, unicamente o que está para o humor como a flor da farinha para o trigo. Neste caso o moleiro, aquele que, ao cabo, de todo o processo histórico de desenvolvimento do dandismo, acedeu, no dizer de Mme Gabrielle Buffet, a fazer figura de «técnico benévolo», o nosso amigo Marcel Duchamp é seguramente o homem mais inteligente e (para muitos) o mais incómodo desta primeira parte do século vinte. A questão da realidade, nas suas relações com a possibilidade, questão essa que continua a ser a grande fonte de angústia, encontra aqui resolução, da maneira mais audaciosa: «A realidade possível (obtém-se) distendendo um pouco as leis físicas e químicas.» Temos por certo que, mais tarde, se tentará encontrar a ordem cronológica rigorosa dos achados a que no campo plástico este método foi susceptível de levar Marcel Duchamp e cuja enumeração excederia o âmbito desta nota. O futuro só terá que remontar sistematicamente o seu curso e descrever-lhe cautelosamente os meandros, em busca do tesouro oculto que foi o espírito de Duchamp, através deste, daquilo que mais raro e precioso há nele, o próprio espírito do nosso tempo. Ora isto implica não só uma iniciação mais profunda como também a mais moderna maneira de sentir, cujo humor se apresenta, nesta obra, como condição implícita.

Após uma passagem meteórica pela pintura (Jeune homme triste dans un train, Nu descendant un escalier, Le roi et la reine entourés de nus vites, Le roi et la reine traversés par dês nus vites, Vierge, Le passage de la Vierge à la Mariée, Mariée), e ao mesmo tempo que, de 1912 a 1923, se vai consagrando a essa espécie de «anti-obra-prima»: La mariée mise à nu par ses célibataires même, que constitui a sua obra capital, Duchamp, como protesto contra a indigência, a seriedade e a vaidade artísticas, assina um certo número de objectos feitos (ready made) dignificados a priori unicamente em virtude da sua escolha: cabide, pente, garrafeira, rodas de bicicletas, urinol, pá para a neve, etc. Enquanto não passa aos ready made recíprocos («servir-se de um Rembrandt como tábua de engomar»), contenta-se, ainda no mesmo campo, com os ready made auxiliados: Joconda (sic) embelezada com um par de bigodes, gaiola de pássaros cheia de pedaços de mármore branco a imitar cubos de açúcar e atravessada por um termómetro, etc.

Em alternância com alguns preconceitos inéditos, bem característicos da sua maneira de ser, apresentaremos aqui uma série assaz completa de frases compostas de palavras submetidas ao «regime da coincidência», frases nas quais este ou aquele objecto encontrou o seu acompanhamento ideal, frases que têm o próprio brilho da telescopagem (sic) e mostram o que no campo da linguagem é possível esperar do «acaso em conserva», a grande especialidade de Marcel Duchamp.
1 A ideia (N. T.)

Andre Breton