Wednesday, November 18, 2009

Antologia do Humor Negro, de André Breton

(edição de Abril de 1973)


Tradutores: Aníbal Fernandes, Ernesto Sampaio, Isabel Hub, Jorge Silva Melo, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes.
Prefácio de André Breton (o prefácio poderia ter por título O Pára-Raios – Lichtenberg)

Edição com imagens de alguns autores presentes na antologia, textos de Andé Breton a apresentar cada um dos antologiados, e ainda um nota final de AB escrita em 1966, a Antologia encerrada, isto é, a salvo de qualquer revisão ou ampliação.

Texto na badana:


O regime de Vichy foi forjado por Hitler em 1940, depois de as suas tropas terem entrado vitoriosas na Franças: era o grande sinal de que a Grande Guerra fora ganha pela Alemanha Nazi.
O regime de Vichy era constituído por quatro franceses (Pétian, Pucheu, Barthélemy, Brinon) que colaboraram com o nazismo durante quatro anos e fielmente cumpriram as ordens que Berlim mandava: processaram judeus, guilhotinaram comunistas, eliminaram chefes sindicalistas.
E a primeira edição da Antologia do humor Negro (1939) foi por eles retirada do mercado logo que apareceu. O humor negro não será a melhor prova de que a estupidez e o crime nunca ganharam qualquer guerra?
O humor negro é mais que o riso, é mais que a ironia:
É a crueldade destrutiva que abala os alicerces de todos o regimes – é uma ameaça constante ao império da irracionalidade, ao domínio da injustiça, ao crime organizado.
É por isso que os textos desta Antologia se apresentam sempre como literatura de vida ou de morte; é por isso que os autores escolhidos por Breton são quase todos daqueles homens que nenhum governo de Vichy recuperará.
A Antologia de Breton atinge o regime no mais profundo da sua falsa compostura: é através dela que Breton anuncia definitivamente o génio até então oculto dos grandes escritores malditos: Sade, Lautréamont, Forneret, Lacenaire.

Dentre eles, houve ainda os que para além do humor, realizaram também a entrega total à loucura (Swift, Sade, Nietzsche), que se refugiaram na droga (De Quincey, Baudelaire), no álcool (Poe, Jarry), no suicídio (Vaché, Rigaud, Roussel, Duprey).
Com este livro, a literatura é chamada à luta, à vida perigosa. Para Breton e o seus autores aqui seleccionados o humor ou é negro – i. é. cruel – ou não será humor.

Autores Antologiados:

Albero Savino
Alfred Jarry
Alphonse Allais
André Gide
Arthur Cravan
Arthur Rimbaud
Benjamin Péret
Charles Baudelaire
Charles Cros
Charles Fourier
Chirstian-Dietrich Grabbe
D. A. F. de Sade
Edgar Allan Poe
Franz Kafka
Friedrich Nietzsche
Georg-Christoph Lichtenberg
Germain Noveau
Giséle Prassinos
Guillaume Apollinaire
Hans Harp
Isidore Ducasse
Jacob Van Hoddis
Jacques Rigaut
Jacques Vaché
Jean Ferry
Jean-Pierre Brisset
Jean Pierre Duprey
John Millington Synge
Jonathan Swift
Joris-Karl Hysmans
Leonora Carrington
Lewis Carrol
Marcel Duchamp
O. Henry
Pablo Picasso
Petrus Borel
Pierre-François Lacenaire
Raymond Roussel
Salvador Dali
Thomas de Quincey
Tristan Corbiére
Villiers L´isle-Adam
Xavier Forneret

Tuesday, November 10, 2009

Lugar de Massacre, de José Martins Garcia

(edição de Junho de 1975)


Colecção Autores II
Capa de Nuno Amorim
Edição e arranjo gráfico de Edições Afrodite
Copyright de J. Martins Garcia / Ed. Afrodite
3200 exemplares


Na Contracapa

ao mesmo tempo que nas ruas de Paris se jogava contra a cultura burguesa mais uma cartada perdida, no Hospital Militar de Bissau um homem descobria a inconsistência radical do mundo, da vida, das religiões e das ideologias, medindo com a sua loucura essoutra loucura chamada COLONIALISMO.

corpos caídos para nada, vidas ceifadas por ilusões imperialistas, destruição física e psíquica duma juventude que não tinha qualquer razão para a guerra...


Saturday, October 03, 2009

Porquê a edição do Mein Kampf?


Em 1976 Fernando Ribeiro de Mello editou em Portugal o Mein Kampf, de Adolf Hitler, criando algum impacto na sociedade portuguesa. O editor surpreendeu e as reacções a tamanha audácia e provocação foram muitas. A edição feita a partir de uma tradução brasileira, teve uma tiragem de 10 000 exemplares, dai que ainda hoje se encontre em alfarrabistas com alguma regularidade, mas com preços cada vez mas elevados.

Quando demos início a este blog, publicámos aqui alguns posts com uma entrevista do editor a António Carmo Luís publicada no livro O Marquês de Sade e a sua Cúmplice, Seguido de Sade em Portugal e Portugal em Sade, das edições Hiena. A páginas tantas o entrevistador questiona Fernando Ribeiro de Mello sobre a edição do livro de Adolf Hitler:

(...)

- Não escreva isso – disse-me o editor, e tinha a voz irritada.

FRM - Ainda era a mesma luta contra o poder. O meu mal foi querer provar, com alguns anos de antecedência, algumas coisas que toda agente agora sabe: os regimes do Leste dividiam a sociedade em classes fortemente hierarquizadas, faziam uma censura feroz às ideias, à liberdade de criação, sob o ponto de vista económico eram uma aldrabice. Tentei dizer isto mas era cedo, quem lia livros preferia acreditar no que lhe convinha.

- Seria preciso chegar ao Mein Kampf de Adolf Hitler? O que tinha ele a ver com os regimes de leste?

FRM - Tinha o seguinte: um discurso praticamente igual, assustadoramente igual. Igual porque discurso caucionador, em todos os regimes totalitários, da necessidade de fazer crer ao povo que a sua dureza é inspirada por princípios nobres e pela vontade de o proteger. Os extremos tocam-se.

- Mas em Portugal já tinha havido eleições democráticas, e a Afrodite insistia nessa cruzada...

FRM - Acha que a situação estava estabilizada? Que já não havia perigo? Lembre-se de que a União Soviética ainda praticava uma política de infiltração, e este canto era muito apetecível como pedra a tomar no xadrez universal.

- Mas era uma estratégia editorial errada. Não basta publicar livros «contra». É preciso haver uma clientela significativa para esse «contra», que suporte essa inspiração editorial. No tempo de Salazar, a Afrodite dirigia-se à vontade de oposição da quase totalidade dos intelectuais portugueses. Nesta segunda fase, os livros publicados não tinham um destinatário suficientemente amplo para suportar os investimentos da edição. Era um suicídio.

FRM - Sempre travei batalhas suicidas, sempre me atirei de cabeça pelas minhas verdades sem medir muito as consequências. Hesitar, seria pressupor uma frieza que eu não tenho, e mau será que um dia venha a tê-la. Editei o Sade quando era impossível editá-lo. O degelo marcelista permitiu alguns Sades sem risco, na Arcádia, na Estampa, creio que na Presença; e depois de não haver censura apareceram dois com linguagem crua, um na & Etc e os volumes de Os 120 Dias de Sodoma. Mas eu editei Sade contra Salazar, com todo o risco que era estar contra ele, editei-o para abalar a censura...

Saturday, September 19, 2009

Ditadura sem Proletariado - Vários

(edição de Abril de 1978)



A mesma edição: Kontinent 2 - Ditadura sem Proletariado, mas com capa diferente.


Textos de: Wladímir Maksímov, Robert Conquest, Aleksandr Solzhenitsyn, representantes das fábricas da cidade de Petrogrado, Graham Greene, Ota Filip, Adalbert Reif, Víktor Nekrásov e Karl-Gustav Strőhm.
Tradutor: Armando Costa e Silva
Adaptação da capa: Jorge Cardoso
Colecção Documentos
Edição de Fernando Ribeiro de Mello / Edições Afrodite


Na Contracapa

KONTINENT é publicado em russo (Londres), alemão (Ullstein), francês (Gallimard), italiano (Garzanti), inglês (André Deuch), americano (Doubleday), espanhol (Unión Editorial, S. A) e agora também em português. Como «tribuna independente dos escritores do leste europeu», nela colaboram os maiores representantes dos dissidentes da área comunista: Soljenitsine, Sakarov, Siniavski, Brodskii, Pachman, Nekrásov, Maksímov e tantos outros.Num sentido mais amplo – e mais concreto – Kontinent quer constituir uma plataforma – um «continente» - integrada por «todas as forças antitotalitárias em luta espiritual pela liberdade e pela dignidade do homem.

Questionário a Fernando Ribeiro de Mello



Um questionário a Fernando Ribeiro de Mello publicado na revista Crónica Feminina, págs. 28 e 29, de 17 de Dezembro de 1964, que nos permite conhecer um pouco mais o responsável pelas Edições Afrodite.

Imagem cedida pelo blog Dias Que Voam.

Friday, September 18, 2009

Liberdade para José Diogo

(edição de Maio de 1975)


Edição organizada e proposta à circulação por: Associação de Ex-presos Políticos Antifascistas e Fernando Ribeiro de Mello / Edições Afrodite
Colecção Documentos

Tiragem de 6200 exemplares

Esta edição apresenta:


- uma carta de José Diogo escrita a partir da prisão em 3 de Janeiro de 1975;
- um texto da Associação de Ex-presos Políticos Antifascistas (AEPPA) sobre ditadura e o momento político que se vivia em Portugal no pós 25 de Abril, esclarecendo os motivos da edição: Ao publicar a carta de José Diogo, a AEPPA pretende iniciar uma campanha pela sua libertação.
- o Despacho de Pronúncia – O direito burguês acusa José Diogo
uma canção para o camarada José Diogo, da autoria de do Grupo de Acção Cultural / Vozes na Luta
- uma Mensagem de José Diogo dirigida aos camaradas presentes na manifestação do 1.º de Maio de 1975 organizada em Lisboa pelos Movimentos Marxistas – Leninistas e da Democracia Popular
- um texto, intitulado José Diogo Luís, Casado, Tractorista... onde se expõe o caso: «Luís, José Diogo, casado, tractorista, Filho de Jacinto e de Arminda. Nascido em 1938 – tem agora 36 anos portanto. Local de nascimento: Almerim, concelho de Castro Verde ( Baixo Alentejo). Residente em Casével com a mulher e três menores. Cidadão nacional com o bilhete de identidade n.º 338764.

Às 15H30 do dia 30 de Setembro de 1974, um 1.º Cabo da GNR em serviço no posto de Castro Verde recebe um telefonema: o presidente da comissão Administrativa de Castro Verde informa-o haver rumores de que fora agredido à facada, na sua residência, o proprietário rural Columbano Libano Monteiro, Dr., no estado civil de viúvo, filho de e de, natural de S. Pedro de Espinho – Mangualde onde nasceu em 1896, residente em castro Verde.
O 1.º cabo, acompanhado do soldado da GNR n.º 332/64202, desloca-se ao local da agressão.
Mais tarde, ao elaborar a sua participação em duplicado, o 12.º cabo refere que «perseguiram o agressor, vindo a detê-lo pelas 17H30, perto do lugar de Almeirim, deste Concelho. Trata-se de José Diogo Luís, no estado civil, com a profissão de».
O instrumento do crime – uma faca - «foi apreendida e segue junta à participação».
Interrogado, José Diogo Luís declara que procurava o proprietário rural Columbano Libano Monteiro para este o readmitir ao seu serviço, pois que havia sido por ele despedido cerca de uma semana antes.
«O respondente esclarece que quando se dirigiu a casa do ofendido, foi, como disse, só com a intenção de lhe pedir trabalho pois estava em precária condição económica (...)».
A declarante Assunção Maria Palhinha, que vivia em casa do proprietário rural Libano Monteiro, refere que «chamou um ambulância que conduziu o ofendido ao Hospital de Castro Verde sendo de seguida transportado ao Hospital de Beja, por não se encontrar nenhum médico no Hospital de Castro Verde. Que no dia 2 do corrente mês de Outubro o ofendido começou a sentir-se pior e a conselho dos médicos de Beja foi transportado a Lisboa ficando internado na Casa de Saúde das Amoreiras, onde faleceu no dia 12 deste mês de Outubro (...)».
«(...) Em tempo: a declarante refere que ouviu dizer ao povo de Castro Verde cujas pessoas não pode precisar, que o povo, após a agressão, deu 500$00 à mulher dele (José Luís Diogo) e disse-lhes «Toma lá estes quinhentos escudos e se ele morrer dou-te mais 500» (...)».
A folhas 29 do processo consta a informação de que o médico que passou a certidão de óbito do propietário rural Libano Monteiro realçou como causas da morte «peritonitem ferida por arma branca e insuficiência cardíaca esquerda».
Do relatório do exame de tanatologia consta que as «peças de vestuário examinadas não têm rasgões nem manchas de sangue parecendo ser peças de vestuário para funeral».
O José Diogo Luís encontra-se actualmente detido, a aguardar julgamento, na cadeia da cidade de Beja. O processo-crime corre seus termos no Tribunal Judicial da Comarca de Ourique. Em breve, será José Diogo Luís, casado, tractorista, de 36 anos de idade, submetido a julgamento pela prática do crime previsto e punido pelo art.º 249.º do Código Penal de 1852 – homicídio voluntário.»

Saturday, September 12, 2009

Manual de Primeiros Socorros, de Norbert Vieux e Pierre Jolis

(3.ª Edição: Agosto de 1984)


Aprovado pelo Ministério do Interior e Ministério da Saúde Franceses

Recomendado por: Secretaria de Estado da Saúde, Serviço Nacional da Ambulâncias e Cruz Vermelha Portuguesa

2 Volumes

Título: Manuel de Secourisme
Autores: Norbert Vieux e Pierre Jolis
Colaboração: Serge Desclos de la Fonchais
Ilustrações: Dieter Wagner
Tradução: Dr. Germano de Sousa
Adaptação da capa: Nuno Amorim
Colecção: Guias
Edição e adaptação gráfica: Fernando Ribeiro de Mello / Edições Afrodite
1977 Edições Afrodite para Portugal

Na contracapa


Em todo o Mundo, a Cruz Vermelha tem parte activa na educação sanitária e no ensino do Socorrismo. Em França, desde 1941, a Cruz Vermelha formou 1 200 000 socorristas; técnicas originais foram aperfeiçoadas e ensinadas pelos médicos instrutores nacionais, porque o Socorrismo é uma realidade viva.
Este manual tem em conta a evolução das técnicas e da pedagogia. Assim possa ele facilitar a tarefa dos instrutores, monitores e socorristas, e favorecer a difusão dos socorros de urgência.

(do prefácio da edição francesa)

Impunha-se a publicação em Portugal de um livro sobre primeiros socorros (Socorrismo) no qual fosse possível adquirir conhecimentos básicos e aprender qual o comportamento a seguir pelo socorrista quando se lhe depararem casos urgentes de doença ou acidente.
Assim, procurou-se seleccionar uma obra cujo texto aliasse à sua base científica um carácter francamente didáctico e popular. Cremos tê-lo conseguido ao traduzirmos o «Manual de Secourisme» dos doutores Norbert VIEUX e Pierre JOLIS.
A edição original francesa contém não só elementos necessários ao ensino dos primeiros socorros e ao comportamento do socorrista em casos de urgência, como também ensinamentos específicos dedicados aos cursos de Salvadores-Socorristas do Trabalho e de Monitores e Instrutores de Socorrismo. Porém, e porque nos pareceu que este volume da edição portuguesa deveria cingir-se ao ensino dos primeiros socorros e ao comportamento do socorrista em casos de urgência, decidimos apresentar agora apenas a matéria que se integra na orientação adoptada.
Na tradução procurou-se – sem descurar evidentemente a fidelidade ao original – substituir alguns termos médicos, e outros, por palavras mais correntes no nosso idioma. Também houve, por vezes, que adaptar ou não traduzir determinadas considerações dos autores, por nos parecer que as mesmas apenas têm interesse para os Franceses.

(do prefácio da edição portuguesa)

Este manual está de acordo com os programas do Diploma de Socorrismo da Cruz Vermelha Francesa e do Diploma Nacional de Socorrismo da Protecção Civil.

Thursday, August 27, 2009

Mais montras de livros Afrodite

Recomendamos mais alguns sítios online, onde se encontram à venda livros das edições Afrodite:

No recém estreado site de Gabriela Gouveia, entre muitas raridades de literatura portuguesa do século passado, podemos encontrar uma Antologia de Vanguarda, que apresenta textos de Luiz Pacheco, Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro e Manuel de Lima.

No site Iberlibro, fazendo uma busca avançada por editora, encontramos muitos livros das edições Afrodite. Se restringirmos a busca a Portugal, estão lá livros da Cimelio Books, Avelar Machado e Artes & Letras.

Ainda no blog D`Outro Tempo, de momento, por 35 euros encontramos uma edição de Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente, de Natália Correia.